quarta-feira, 18 de junho de 2008

Uma prática louvável (?)


Grandes nomes do cinema mundial atuam em enredos pouco convencionais, o que tem provocado opiniões diversas no público cinematográfico

Tornou-se moda no mercado cinematográfico ver atores e atrizes renomados, e muitas vezes intérpretes de enredos mais voltados ao entretenimento, incorporando papéis em filmes de cunho político e social. Desde que a onda pegou, filmes como “Crash – No Limite”, “Babel”, “O Jardineiro Fiel”, “Diamante de Sangue” e “O Senhor das Armas” conquistaram um espaço não só na crítica cinematográfica - caíram nos gostos daqueles que organizam o maior prêmio do cinema mundial, o Oscar – como também deixaram de ser feitos apenas por artistas do circuito “alternativo”.

No entanto, é difícil dizer se tais filmes caíram nas graças dos “espectadores comuns” tanto quanto conquistaram os críticos. Na opinião de Vinicius Mendes Fernandes, 22, publicitário e fotógrafo – e cinéfilo assumido – “todos falam sobre problemas político-sociais do mundo atual. Crash e Babel são bem parecidos por mostrar várias histórias no mesmo filme. Diamante de sangue é o meu favorito entre esses, principalmente pela atuação do Leonardo DiCaprio e do ator coadjuvante”, afirma ele. A secretária Carmen Lucia Barros Miguel, 43, concorda. “Diamante de sangue é um filme forte, mexe com a raiz do seu sentimento, a busca interminável da justiça”, diz ela. Já a repórter Lidiane Oliveira, 23, gostou muito do enredo de “O Senhor das Armas”, mas não pode dizer o mesmo de “O Jardineiro Fiel”. “Acho que foi uma grande expectativa, todo mundo falando do filme do Meirelles (Fernando Meirelles, diretor brasileiro) e etc... aí quis assistir também. Como ele dirigiu o “Cidade de Deus”, e eu tinha gostado, imaginei que o desenrolar da história fosse seguir o estilo do diretor. Achei algumas coisas meio irreais... aquela história da personagem principal (Rachel Weiss) participar de causas humanitárias, aí tudo tinha a ver com o assassinato dela... ficou meio inexplicado. Eu gosto de histórias mais ‘reais’”, opina Lidiane.

Quanto à nova participação desses atores nos filmes, as opiniões também são divididas. “Eu acho uma droga. Ator tem que participar de todos os tipos de filmes e procurar enfrentar desafios de personagens diferentes, e não só ficar focado em filmes políticos, que só mostrem denúncias. Cinema é entretenimento também”, argumenta Vinicius, que teme que os atores pendam apenas para esse tipo de atuação de hoje em diante. Já Carmen enxerga de uma outra maneira: “Acho que é uma oportunidade de atores como Brad Pitt (Babel), Leonardo DiCaprio (Diamante de Sangue) e Sandra Bullock (Crash!) mostrarem o talento deles, já que possuem uma beleza única. Os três na minha opinião são ótimos atores: se na primeira tentativa fizeram sucesso de bilheteria, os diretores com certeza repetirão o convite”, acredita ela. Lidiane tem uma opinião parecida: “acho válida essa participação. É bacana ver um ator que faz um filme mais água com açúcar fazendo um filme mais "sério", mais politizado... um exemplo é o Jim Carrey... descobri um outro ator, por exemplo, quando ele fez um filme diferente como "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. Gostei da atuação, por exemplo, do Ryan Phillippe no Crash; ele tinha feito uns filmes bizarros, como "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado", e esses de terror barato. Acho que mostra um amadurecimento do ator”, finaliza a repórter.

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