terça-feira, 24 de junho de 2008

O novo cinema brasileiro


Tropa de Elite: Nova safra de filmes nacionais

A preocupação com questões sociais chega ao grande público

Muita gente ainda torce o nariz quando o assunto é cinema nacional, isto porque o gênero sempre sofreu com a falta de patrocínio e incentivos governamentais, o que prejudicou a produção de muitos longas deixando-os com baixa qualidade de som, imagem, figurino etc. Além disso, existia a associação de filmes nacionais ao sexo, devido as pornô-chanchadas dos anos 70.

Porém o cinema nacional ressurge com uma nova geração de diretores como, Walter Salles (Diários de Motocicleta (2004)) e José Padilha (Ônibus 174 (2002)), com filmes preocupados em mostrar as diferentes realidades da sociedade brasileira.

Lançado em 2007, o filme “Tropa de Elite”, faz parte da nova geração de produções nacionais como “Cidade de Deus” (2002) e “Carandiru” (2003), e mostra o dia a dia de personagens que a princípio parecem fixados em sua própria realidade, mas vão se entrelaçando no decorrer da história, que gira em torno da rotina do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Frases como “pede pra sair!”, “você é um fanfarrão”, e a numeração dos soldados (01, 02...) viraram mania nas ruas do Brasil, assim como o “Capitão Nascimento” e os “aspiras” “Neto” e “André” foram trazidos para o mundo real, como se fosse nossos vizinhos. A estudante de engenharia elétrica, Marina Haltz Rosa, 24 anos, acredita que as frases viraram jargões devido a aceitação do público à realidade mostrada no filme: “O filme retrata de maneira bem realista a rotina entre policial e bandido. Mostra com bastante propriedade a corrupção existente entre a classe policial. Ele não é um herói (Capitão Nascimento), é apenas um bom profissional, corajoso, mas que também erra , tem seus medos, seu problemas. Ao mesmo tempo que acerta em questões profissionais, erra na parte familiar”, completa a estudante.

A violência é marcante no filme, os assassinatos cometido por traficantes e policiais causa grande impacto e confusão, fazendo que os papéis de mocinho e bandido, tão marcantes nas grades produções americanas, as quais estamos acostumados, não sejam bem definidos. “Pena que, como sempre, o "zé povão" entende tudo errado e elege o protagonista como herói nacional, como se suas ações fossem corretas” diz a Lidiane Orestes, 26 anos, estudante de jornalismo. “ Acho que duas coisas pautaram a maioria das pessoas nas considerações sobre esse filme: a violência do criminoso, e a violência repressora do policial. Algumas a favor de uma e contra a outra, e vice e versa, mas acredito que a principal questão que esse filme remete, pelo menos em mim, é como ações individuais de sistemas repressores estão fadadas ao fracasso”, reflete a futura jornalista, que argumenta: “Enquanto a sociedade não se conscientizar que cada um precisa desempenhar sua função, seu papel, sua obrigação e não apenas fechar os olhos, e fingir que situações como as retratadas em uma obra como o filme tropa de elite está distante dela, a violência, a falta de educação de qualidade e tudo o mais não terá fim”.

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